Por que repassamos notícias

Posted by Gabriela Zago on February 10, 2010 in academicismos |

Já parou para pensar por que você repassa uma determinada notícia para seus amigos?
Um estudo desenvolvido na Universidade de Pensilvânia (estudo completo em PDF aqui) procurou buscar compreender o que uma notícia deve ter de especial para ser repassada e constatou que uma das principais razões para o envio está no potencial de a notícia gerar admiração (awe, no original, em inglês). Segundo os autores do estudo, o mesmo princípio também seria valido para motivar o repasse de correntes e lendas urbanas por e-mail.
O estudo analisou a lista de notícias mais enviadas por e-mail no The New York Times a cada 15 minutos durante um período de 6 meses. Além de analisar o conteúdo das mensagens, eles também relacionaram outras variáveis, como o destaque que a matéria recebeu na homepage do site ou na capa do jornal em papel – isso poderia influenciar uma notícia a ser mais repassada que outras, independente de seu conteúdo.
As notícias foram classificadas como contendo informação prática, serem inspiradoras de admiração, ou por provocarem surpresa. Emoção e positividade da notícia também foram avaliados, de forma automática, a partir da proporção de palavras positivas e negativas constantes no texto da notícia.
Os resultados sugerem que processos psicológicos podem ajudar a moldar o que se torna viral. Constatou-se uma grande correlação entre o potencial de a notícia provocar admiração com sua possível viralização. Os resultados também mostram que, em geral, as pessoas preferem repassar notícias positivas a negativas, e preferem repassar notícias longas a curtas (talvez por conterem mais informações). Ao final, sugere-se investigar se há relação entre o conteúdo transmitido no repasse de informações e o relacionamento que se tem com a pessoa, ou as pessoas, a quem se transmite algo.
O que achei interessante no estudo é que ele se diferencia de outros similares por tentar identificar os aspectos do conteúdo que podem levar uma mensagem a ser mais repassada que outras. Porém uma possível limitação é tentar fazer isso apenas a partir do conteúdo das mensagens, desprezando completamente as possíveis motivações individuais de cada um. De qualquer modo, é útil como mais um ponto de vista para tentar compreender os motivos pelos quais determinadas notícias são mais repassadas que outras.
(Via Ponto Media)

2 Comments

  • marcia says:

    também gostei muito deste trabalho.
    gostei especialmente da perspectiva.
    o jornalismo não é apenas um tipo de conhecimento sobre o mundo, é também um dos meios de construir identidades e relações com quem nos interessa.
    o que lemos, o que sabemos e o que NOS INTERESSA diz muito sobre quem somos, e uma das formas de mostrar aos outros QUEM SOMOS é dar as dicas sobre o que nos interessa.
    é um círculo, ou uma espiral.

  • Fred says:

    Depois que li seu texto fiquei lembrando tudo o que eu já repassei. Realmente sempre procuro passar algo com um texto bem gordinho pra explicar o fato.
    Fico me perguntando as vezes pq será que as pessoas são tão otimistas.
    Não vejo problema em ser otimista, mas as vezes o excesso de otimismo pode derrubar empresas e mercados, no caso de sistemas financeiros. E exemplo disso foi visto na recente crise de 2008.
    Acho interessante como as pessoas sempre se juntam em grupos para falar de coisas que gostam. Encontros de twitteiros, blogs, tecnologias e etc. O grupo sempre no coletivo faz com o indivíduo se sinta grande e diferente do resto. Se o grupo é otimista com relação ao assunto, então ele pode sempre contar com o apoio no assunto e sempre terá aliados. Mas se no grupo alguem noticia algo de negativo, então o grupo passa a vê-lo como rebelde. Esse indivíduo que passar a ser visto como rebelde ou algo similar, passar a ser diferenciado pelos outros, o que faz que ele se sinta excluído ou mesmo seja excluído.
    Gosto de olhar diferente: Se a notícia é negativa, então ela é positiva para o lado negativo.
    Abraço pra ti.

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